Atividade de Língua Portuguesa - Interpretação de texto para o Ensino Médio
Atividade de leitura e interpretação textual voltada para o Ensino Médio (2º ano), com foco no Romantismo, a partir da história de Jean Valjean. As questões objetivas e discursivas estimulam a compreensão do texto, a análise do contexto social do personagem, o estudo de vocabulário e a reflexão crítica sobre justiça e desigualdade social, favorecendo o desenvolvimento da leitura crítica e do pensamento argumentativo.
ESCOLA______________________________________________ DATA____/____/_______
PROFESSOR(A)________________________________________ TURMA:_____________
ALUNO(A)_____________________________________________ SÉRIE/ANO__________
ATIVIDADE DE LÍNGUA PORTUGUESA
Os miseráveis
Victor Hugo
Pelo meio da noite, Jean Valjean se levantou.
Jean Valjean era filho de uma pobre família de camponeses de Brie. Em sua meninice, não havia aprendido a ler. Adulto, tornou-se podador de árvores (5) em Faverolles. Sua mãe chamava-se Jeanne Mathieu; seu pai, Jean Valjean ou Vlajean, provavelmente alcunha ou contração de voilà Jean.
Jean Valjean era de caráter pensativo, sem ser triste, o que é próprio das naturezas afetuosas. No (10) conjunto, portanto, nada havia de mais calmo e de mais insignificante, ao menos na aparência, do que Jean Valjean. Ainda pequeno, perdera pai e mãe. Sua mãe morreu de uma febre de leite malcuidada. Seu pai, podador como ele, morrera ao cair de (15) uma árvore. Ficou-lhe somente uma irmã mais velha, viúva, com sete filhos, meninos e meninas. Essa irmã havia criado Jean Valjean e, logo que se casou, deu-lhe casa e comida. O marido morreu. O mais velho dos sete filhos tinha oito anos, e o (20) mais novo apenas um. Jean Valjean acabava de completar vinte e cinco. Fez as vezes de pai e sustentou a irmã que o havia criado. Isso foi feito simplesmente, como um dever, até mesmo com uma espécie de teimosia da parte de Jean Valjean. Sua juventude foi esbanjada num trabalho rude e mal (25) pago. Ninguém soube que ele tenha tido alguma "amiguinha". Nem teve tempo a perder com amores.
À noite voltava cansado, comia a sopa, sem dizer palavra. Sua irmã Jeanne, enquanto ele jantava, tirava-lhe da tigela o melhor que havia, um pedaço (30) de carne, ou de toucinho, um pouco de couve, para dar a alguma das crianças; ele, sem parar de comer, curvado sobre a mesa, quase tocando a sopa com a cabeça, o cabelo comprido caindo-lhe ao redor da tigela e escondendo-lhe os olhos, fingia não perceber (35) e não se importava. Havia em Faverolles, não longe da casinhola dos Valjean, do outro lado da rua, uma rendeira chamada Marie-Claude; as crianças, habitualmente com fome, iam às vezes pedir-lhe emprestado, em nome da mãe, um pouco de leite, (40) que bebiam em seguida, atrás de alguma sebe ou em qualquer canto do caminho, disputando a vasilha entre si com tanta pressa que as meninas o derramavam sobre o avental e a gola dos vestidos. Se a mãe soubesse de tal traquinice, sem dúvida teria (45) corrigido os pequenos delinquentes. Jean Valjean, rústico e resmungão como era, sem que a mãe o soubesse, pagava o leite a Marie-Claude, e as crianças continuavam impunes.
Quando chegava a época em que se podavam as árvores, ganhava vinte e quatro soldos por dia; depois, empregava-se como segador, servente de pedreiro, ou ia trabalhar nos estábulos como jornaleiro ou carregador. Fazia o que lhe era possível. A irmã, por (55) sua vez, também trabalhava; mas o que podia fazer com sete filhos? Era uma pobre família que a miséria envolvia e pouco a pouco apertava em seus braços.
Aconteceu, porém, um inverno mais rigoroso que os demais. Jean não encontrou trabalho. A família (60) não tinha o que comer. Sete crianças completamente sem pão!
Um domingo à noite, Maubert Isabeau, dono de uma padaria na praça da matriz de Faverolles, já se preparava para dormir quando escutou um violento (65) golpe na vitrina que dava para a rua. Chegou justamente em tempo para ver um braço que se introduzia, através da grade de proteção, por um buraco do vidro quebrado a socos. O braço pegou um pão e o carregou. Isabeau saiu a toda pressa; o (70) ladrão já havia jogado o pão, tendo porém o braço ensanguentado. Era Jean Valjean.
Isso aconteceu em 1795. Jean Valjean foi levado diante dos tribunais daquele tempo "por roubo e arrombamento durante a noite numa casa habitada". Ele possuía uma espingarda que manejava com (75) perfeita maestria e caçava em lugares proibidos, o que o prejudicou bastante. Contra essa espécie de caçadores há um preconceito muito legítimo; eles, como contrabandistas, estão a um passo do salteador. Contudo, digamos de passagem, entre essa (80) classe de homens e o hediondo assassino das cidades, há um abismo de diferença. O caçador furtivo vive nas florestas; o contrabandista, nas montanhas ou no mar. As cidades produzem homens ferozes justamente porque os corrompem. A montanha, o (85) mar e a floresta tornam os homens selvagens, desenvolvendo-lhes o lado animalesco, mas, quase sempre, sem destruir-lhes o lado humano.
Jean Valjean foi declarado culpado. Os termos do código eram categóricos. Nossa civilização tem (90) momentos terríveis; são os momentos em que uma sentença anuncia o naufrágio. Que minuto fúnebre esse em que a sociedade se afasta e relega ao mais completo abandono um ser que raciocina! Jean Valjean foi condenado a cinco anos de trabalhos (95) forçados nas galés. Explica-se: as galés eram barcos movidos a remo. Os grupos de remadores, acorrentados, eram constituídos por prisioneiros condenados. Havia um soldo miserável para cada um deles, guardado até a libertação. Era um trabalho exaustivo, feito somente por condenados. Jean Valjean recebeu grilhões nos pés. Foi acorrentado. […]
No final do quarto ano de condenação, Jean Valjean tentou fugir. Ficou livre dois dias, até ser capturado. Foi condenado a mais três anos. Quando cumpriu seis, tentou outra vez, mas não conseguiu fugir. Resistiu aos guardas que o encontraram em seu esconderijo e ganhou mais cinco anos, com castigos. No décimo ano e no décimo terceiro, quis fugir outras vezes, e sua pena aumentou mais ainda. Até cumprir dezenove anos. Por tentar roubar um pão.
Durante a prisão, o inofensivo podador de árvores tornou-se um homem temível. Tinha ódio da lei e da sociedade. Por consequência, de toda a humanidade. De ano para ano, sua alma foi se tornando amarga. Desde que fora preso, há dezenove anos, Jean Valjean não soltava uma lágrima. [...]
HUGO, Victor. Os miseráveis (tomo 1 - Fantine). Tradução de Frederico Ozanan Pessoa de Barros. São Paulo: Cosac Naify, 2012. p. 133-135.
Parte 1 – Compreensão do texto
01 - De acordo com o texto, qual informação sobre Jean Valjean está correta:
a) Ele tinha uma irmã que era mãe solteira de sete filhos.
b) Ele era casado e tinha sete filhos que não sabiam ler.
c) Ele foi morar com a irmã depois que ela ficou viúva.
d) Ele não tinha estudo e fazia serviços pesados para sobreviver.
2. Através da leitura podemos concluir que no começo o personagem descrito era:
a. Uma pessoa extremamente feliz e apaixonada.
b. Uma pessoa inofensiva que só vivia pra trabalhar.
c. Um homem magoado com a vida e divertido.
d. Uma pessoa amarga que odiava a todos.
3. No trecho: “Jean Valjean tornou-se o arrimo da família”, a palavra destacada tem o sentido de:
a. Pesadelo
b. Tristeza
c. Apoio
d. Colega
04 - De acordo com o texto, por que a vida da família foi se tornando cada vez mais difícil?
a) Seu trabalho e o da irmã eram insuficientes para sustentar uma família tão grande.
b) Jean Valjean não queria mais trabalhar e só vivia triste pelos cantos.
c) Sua irmã desanimou de tudo e abandonou a família deixando ele com as crianças.
d) Muitas vezes a irmã tirava o melhor pedaço de seu prato para dar a uma das crianças
05 - Quando foi que o roubo do pão aconteceu?
a) Numa manhã de inverno em 1975.
b) Em uma noite de domingo em 1795.
c) O texto não menciona a data.
d) Num domingo de manhã de inverno.
06 - A condenação pelo roubo do pão foi de:
a) Doze anos de trabalho forçado.
b) Dezenove anos de prisão perpétua.
c) Cinco anos nas galés acorrentado.
d) Mais cinco anos por tentar fugir.
07- Marque a alternativa correta que indica o período em que o prisioneiro tentou fugir.
a) No final do quarto ano; quando cumpriu seis anos; no décimo e no décimo primeiro ano.
b) No final do terceiro ano; quando cumpriu oito; no décimo e no décimo nono ano.
c) No final do quarto ano; quando cumpriu seis anos; no décimo ano e no décimo terceiro.
d) No final do terceiro ano; quando cumpriu seis anos; no décimo ano e no décimo terceiro.
08 - A descrição final do personagem principal revela uma mudança que ocorreu durante a prisão. Qual comparação seria correta fazer?
a) De trabalhador para preguiçoso.
b) De violento para pacífico.
c) De inofensivo para temível.
d) De amargo para doce.
Parte 2 – Reflexão crítica
09 - "Na história de Jean Valjean, o maior erro foi o furto do pão ou a forma como a justiça lidou com ele?" Justifique sua resposta. ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
10 - "A desigualdade social pode levar indivíduos a cometerem atos que normalmente não cometeriam." De que forma essa afirmação se relaciona com a situação de Jean Valjean? ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
11 - Você acredita que a justiça foi excessiva na punição de Jean Valjean? Se sim, como a situação poderia ter sido resolvida de maneira mais justa? ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
12 - Compare a história de Jean Valjean com a realidade atual do Brasil. Você acha que ainda existem pessoas que passam por situações semelhantes? Explique. ________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
13 - A ressocialização de ex-presos é um tema debatido até hoje. Em sua opinião, como a sociedade pode contribuir para que pessoas que cumpriram pena tenham uma segunda chance? ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

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